quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Afinal, pra que serve a História?

   "Amo a História. Se não a amasse não seria historiador. (...) Amo a História - e é por isso que estou feliz por vos falar, hoje, daquilo que amo." (Lucien Febvre)





     "A História humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquina." (Ferreira Gullar)

     Mas afinal... Pra que serve a História? 

     A palavra História se origina do grego e significa "pesquisa", "investigação". Seu objeto de estudo são as ações do Homem no tempo e no espaço.
     Antes do surgimento da escrita só havia a chamada História oral, contada de pai para filho ou por viajantes que iam de cidade em cidade contando ou cantando as histórias. Essas narrativas eram importantes como forma de manter a identidade de um povo, uma vez que possibilitavam o conhecimento de acontecimentos em determinado lugar ou época, mas como "quem conta um conto, aumenta um ponto", elas acabavam sendo contaminadas por boatos ou más interpretações, e com o tempo acabavam olvidadas. Após o surgimento da escrita, conforme os Estados iam se fortalecendo, fez-se necessário registrar os acontecimentos importantes para que não fossem esquecidos, o que facilitava também a administração dos territórios, uma vez que os registros continham informações sobre eles. O problema é que, mesmo assim, cada um registrava os fatos de acordo com seus próprios interesses, uma vez que não só historiadores eram responsáveis por tais registros. 
     No século XIX criou-se uma metodologia para a História: o chamado Positivismo ou Escola Metódica. Para os positivistas, o Homem é um mero coletor de informações dadas pelas Ciências e, portanto, os documentos históricos deveriam falar por si só, sendo o papel do historiador somente organizá-los para possibilitar seu entendimento, o que tornou a História um conhecimento objetivo, assim como as Ciências Exatas.
     Em 1929 Lucien Febvre e Marc Bloch fundam, na França, uma revista na qual buscavam fazer uma História pensada, através da análise e questionamento dos documentos, possibilitando a  compreensão das mentalidades, do cotidiano e das diferentes durações do tempo, além de aproximar a História das outras ciências, principalmente da Sociologia. Tal corrente ficou conhecida por Escola dos Annales.
    A partir daí, podemos perceber que não só as ações dos grandes homens e mulheres constituem a História, mas também as ações de pessoas comuns, feitas no cotidiano. Todos nós somos agentes da História, que constitui nossa própria vida. Através dela, podemos conhecer a nós mesmos e aos outros. E, afinal, 

"(...) mesmo que a História fosse julgada incapaz de outros serviços, restaria dizer, a seu favor, que ela entretém. Ou, para ser mais exato - pois cada um busca seus passatempos onde mais lhe agrada -, assim parece, incontestavelmente, para um grande número de homens. Pessoalmente, do mais remoto que me lembre, ela sempre me pareceu divertida. Como todos os historiadores, eu penso. Sem o quê, por quais razões teriam escolhido esse ofício?" (Marc Bloch)